Colesterol alto: como prevenir o primeiro infarto

Dr. Gilson Fernandes • 25 de outubro de 2026

Você não precisa sentir dor no peito para começar a cuidar do coração. O colesterol alto geralmente não provoca sintomas, mas pode favorecer o acúmulo de placas nas artérias ao longo dos anos. Se uma dessas placas se rompe, pode se formar um coágulo que interrompe a circulação e provoca um infarto. Por isso, prevenir o primeiro infarto começa antes dos sinais de alerta: conhecendo e tratando os fatores que aumentam o risco. Ministério da Saúde

Qual é o colesterol ideal para você? A resposta depende do seu risco cardiovascular. O LDL, conhecido como “colesterol ruim”, deve ser avaliado junto com idade, pressão arterial, diabetes, tabagismo, saúde dos rins e histórico familiar. Exames como a apolipoproteína B (ApoB) e a lipoproteína(a), ou Lp(a) também ajudam a refinar essa avaliação: a ApoB estima a quantidade de partículas que favorecem placas nas artérias, enquanto a Lp(a) identifica um componente de risco fortemente influenciado pela genética. Duas pessoas com o mesmo LDL podem precisar de metas diferentes. Para alguns pacientes, como aqueles classificados como “risco extremo”, a SBC recomenda uma meta de colesterol LDL abaixo de 40 mg/dL. Diretriz da SBC de 2025

Metas de LDL — diretriz da SBC de 2025

Risco cardiovascular Meta de LDL Redução em relação ao valor antes do tratamento
Baixo Abaixo de 115 mg/dL Pelo menos 30%
Intermediário Abaixo de 100 mg/dL Pelo menos 30%
Alto Abaixo de 70 mg/dL Pelo menos 50%
Muito alto Abaixo de 50 mg/dL Pelo menos 50%
Extremo Abaixo de 40 mg/dL Pelo menos 50%

Resumo adaptado da Tabela 5.1 da diretriz da SBC de 2025. A classificação é médica; risco extremo envolve doença cardiovascular já estabelecida. A tabela abrange tanto a prevenção do primeiro evento quanto a de novos eventos.

Na rotina, adote um padrão alimentar favorável à saúde do coração, como a dieta DASH ou a dieta do Mediterrâneo, adaptado às suas necessidades e preferências, com orientação profissional. Evite o cigarro e procure acumular pelo menos 150 minutos semanais de atividade física moderada, como caminhada em ritmo mais acelerado, conforme sua condição de saúde. Esses cuidados ajudam a controlar os fatores de risco cardiovascular e devem fazer parte de um plano de prevenção duradouro. American Heart Association · CDC

E quando é necessário tomar remédio? As estatinas são a primeira linha do tratamento medicamentoso para reduzir o LDL e o risco cardiovascular. Outras medicações podem ser associadas para ajudar a atingir a meta individual, inclusive desde o início em pessoas de maior risco. A escolha do tratamento deve ser individualizada pelo médico. Diretriz da Sociedade Brasileira de Cardiologia

Na próxima consulta, leve seus exames e informe se há familiares que tiveram infarto ainda jovens. Pergunte: “Qual é o meu risco cardiovascular e qual deve ser minha meta de LDL?”. Esse é um bom começo para um plano de prevenção individualizado. Se surgir aperto ou dor no peito, especialmente com falta de ar, suor frio ou mal-estar súbito, procure ajuda imediatamente: ligue para o SAMU, 192. Não espere uma consulta agendada. Ministério da Saúde

Imagem de capa: ilustração gerada por inteligência artificial; pessoas fictícias.
Conteúdo educativo. A avaliação individual orienta as decisões de cuidado.

Dr. Gilson Fernandes, MD, FHRS

Dr. Gilson Fernandes, MD, FHRS

Médico co-fundador da clínica CardioAmericas

Médico Cardiologista e Eletrofisiologista invasivo nos Estados Unidos

Residência médica em eletrofisiologia invasiva e estimulação cardíaca artificial pela Universidade de Harvard, Massachusetts General Hospital

Residência médica em cardiologia e clínica médica pela Universidade de Miami

Título de especialista em Eletrofisiologia invasiva, Cardiologia e Clínica Médica pela American Board of Internal Medicine (ABIM)

Título de especialista em ecocardiografia pela National Board of Echocardiography (NBE)

Membro (Fellow) da Heart Rhythm Society

Certificado pela Educational Commission for Foreign Medical Graduates (ECFMG)

Graduado em Medicina pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB)